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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Escafandro Noturno

A superação do nosso limite de pressão, através do escafandro, nos permite mergulhos profundos...

" Este silêncio é feito de agonias
E de luas enormes, irreais,
Dessas que espiam pelas gradarias
Nos longos dormitórios de hospitais.

De encontro à Lua, as hirtas galharias
Estão paradas como nos vitrais
E o luar decalca nas paredes frias
Misteriosas janelas fantasmas...

Ó silêncio de quando, em alto mar,
Pálida, vaga aparição lunar,
Como um sonho vem vindo essa Fragata...

Estranha Nau que não demanda os portos!
Com mastros de marfim, velas de prata,
Todo apinhada de meninos mortos..."

Esse poema se chama 'Noturno' e foi composto por Mario Quintana. O conheci depois de ler o livro 'O escafandro e a Borboleta' que é uma auto-biografia absolutamente incrível de Jean-Dominique Bauby, editor da Elle que após um derrame cerebral resolve escrever um livro, o qual escreveu apenas com a capacidade física de mover somente um dos olhos, o esquerdo. Bauby descreve sua vontade de viver, mas preso em sua limitação, o 'Escafandro e a Borboleta' mostra a linha tênue entre o desejo e a frustração. Assim como o poema 'Noturno' de Quintana, que mostra o observador analisando a noite, que apesar da beleza, delicadeza e suavidade é comitantemente tensa, compressiva e 'escafandrosa'.

Um comentário:

  1. Bendito Mário Quintana, que sempre se mostra vertiginoso e ao mesmo tempo tão compreensível...Sempre há os dois lados de uma mesma noite, de um mesmo dia, de uma mesma lua...Ele sempre me encantou e mais uma vez admiro sua sensibilidade quanto ao que vale a pena ter e dar conhecimento a quem tem o privilégio de ler "você". Encantador e emocionante!!! Um beijo da sua fã sempre!!! Andréa Barbuy

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